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Cadernos da Padaria Nova

Capítulo 1 · O pão das seis

Capítulo 1

O pão das seis

O pão das seis

Às seis da manhã, antes de qualquer buzina acordar a rua, a Padaria Nova já cheira a pão quente e a café requentado. É a hora em que seu Osvaldo separa as primeiras fornadas, uma para a vitrine e outra, secreta, para os fregueses que ele chama de antigos — os que compram fiado desde antes de existir cartão.

Ninguém combina os horários, mas todo mundo se encontra ali, na mesma ordem de sempre: primeiro dona Célia, depois o guarda noturno terminando o plantão, por último eu, que só apareço quando o despertador falha e a pressa vira desculpa para um pão quentinho comido na rua mesmo, andando, o que soa indisciplinado e é.

— Pão de seis hora é diferente, ué. Ainda não virou rotina, é sempre a primeira vez.

Seu Osvaldo diz isso quase toda manhã, como se fosse a primeira vez que também dissesse.


Hoje o pão veio um pouco mais escuro que o normal. Ninguém comentou. Em compensação, todo mundo repetiu.

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