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O Cartógrafo de Nuvens

Capítulo 2 · As bússolas cegas

Capítulo 2

As bússolas cegas

As bússolas cegas

Todas as bússolas da loja de Bento apontavam, há três dias, para o mesmo lugar impossível: o centro da mesa onde o mapa vivo continuava a se desenhar. Ele tentou trocar as agulhas, limpar o metal, culpar a umidade. Nada resolvia.

Foi a cliente de casaco xadrez quem sugeriu, sem parecer nem um pouco surpresa, que talvez as bússolas não estivessem quebradas — talvez estivessem, pela primeira vez, certas.

— Elas não apontam para o norte. Apontam para o que ainda não foi encontrado.

Bento guardou a frase como quem guarda troco: sem saber ainda se precisaria dela.


À tardinha, a Enseada do Que Falta já tinha um cais desenhado, e o cais tinha um nome de pessoa gravado no poste imaginário. Bento reconheceu a letra. Era a da mãe, morta havia dez anos, que ele jurava nunca ter ensinado a desenhar mapas.

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