Capítulo 1
Sinal de origem incerta
Sinal de origem incerta
A estação Constelação recebeu o sinal às 03h12, hora do módulo central — um pulso regular demais para ser ruído cósmico, curto demais para ser mensagem completa. A engenheira Yara Prado rodou a análise três vezes antes de acordar o comandante, porque errar naquele turno custava caro e acertar custava mais ainda.
— Ele se repete — disse ela, mostrando o gráfico na tela principal. — A cada onze minutos e quarenta segundos. Sempre a mesma distância entre um pulso e outro.
— Onze minutos e quarenta segundos é o tempo exato da nossa própria transmissão de resposta padrão.
O comandante disse isso olhando não para a tela, mas para a janela escura, como se o espaço pudesse confirmar ou desmentir a frase.
Se o sinal era um eco de algo que a própria estação tinha mandado, faltava responder a pergunta óbvia: eco de quando, e devolvido por quem, considerando que a Constelação nunca tinha transmitido nada antes daquela noite.