Capítulo 1
O café errado
O café errado
Marina pediu um café sem açúcar e recebeu, pela segunda vez naquela semana, um café doce demais e uma desculpa sem graça do barista novo. Ela já ia reclamar quando notou que a desculpa vinha acompanhada de um pedaço de papel dobrado embaixo do pires.
"Desculpa o açúcar. Achei que você merecia hoje", dizia o bilhete, numa letra apressada que parecia ter sido escrita torcendo para ninguém ler. Marina releu duas vezes, sentindo algo ridículo e quente subir pelo peito.
— Você sempre lê bilhete de estranho, ou só quando o café vem errado?
Ele perguntou isso da porta da cozinha, sem coragem de se aproximar mais, limpando as mãos num pano que já não limpava nada.
Na quinta-feira seguinte, Marina voltou a pedir café sem açúcar. Recebeu, de novo, um café doce demais — e um segundo bilhete, este já sem pedido de desculpas.